quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A Menina que Roubava Livros


Um livro inovador na arte de contar história.


     A menina que roubava livros conta a história de uma menina alemã, Liesel Meminger, na época da segunda guerra, filha de uma mulher comunista que teve que entregá-la, junto com seu irmão, para adoção.   No caminho, o menino morre, deixando a pobre Liesel numa casa simples de alemães. Hans e Rosa Hubermann, seus novos pais, são duas pessoas de nobre coração, mas opostas de temperamento, que recebem a garota não alfabetizada de 10 anos com expectativas, repreensões, mas muito amor. 
     É nesse contexto que, mais do que aprender a ler, a menina aprende a tomar para si uma nova família, a ver que há um outro lado para se seguir além do nazismo, mesmo para uma alemã da segunda guerra e, mais do que tudo, a amar os livros.  Amar a ponto de se comprometer, de mentir, de proteger... e de roubar.
     E toda essa história é contada por ninguém menos do que a própria morte, que viu na história inusitada da menina ladra de livros um sentido em todo o sofrimento e injustiça que o mundo enfrentava naquela época.

PING-PONG

Como o livro me achou: Devo confessar que foi um livro que julguei pela capa. E julguei mal.
Ele deve ter aparecido nas livrarias em meados de 2005, e desde então, foi um livro que passou pela minha mão diversas vezes, sem que me comprasse em nenhuma. Ou não são, afinal, os livros que nos compram?
Foi, feliz ou infelizmente, o lançamento do filme que me fez entrar nessa história, com o limite para lê-lo o tempo em cartaz. Para a minha alegria, o filme ainda está aí e eu aqui nesta resenha, livro lido, filme assistido.

Um pró: Um livro da Alemanha nazista que mostra o lado dos alemães não-nazistas. Ele deixa o bem elucidado drama judeu e mostra a triste realidade dos cidadãos alemães que também sofreram com a segunda guerra.

Um contra: Apesar de enriquecedor, não sou muito adepta a livros com muitas expressões em outros idiomas. Isso dificulta a fluência da leitura se não for devidamente traduzido. (nota: expressões como Saumensch e Saukerl ficaram bem definidas na minha mente, o que tornou aterrador o fato de ser traduzido simplesmente como "porquinho" no filme. Seria como traduzir o Okay de "A Culpa é das Estrelas" em "está bem". Mas, esse não é um espaço cinematográfico, nem uma resenha de a culpa é das estrelas...)

Um diferencial: Achei inovador o fato do livro ser contado pela própria morte. Como escritora, sei da dificuldade de se delinear personagens abstratos. E escolher a morte como narradora-personagem, elemento que não é nem compreendido na vida real, foi um desafio aceito e vencido por Markus Zusak.

Um engano: Não é mais um livro de guerra com o esteriótipo: judeus mocinhos - alemães bandidos. Seria um livro sobre o lado bom do lado ruim (paradoxo?).

Uma decepção: Românticos de plantão, esperem ser decepcionados. Os românticos que leram sabem do que estou falando... Depois, digo minha verdadeira decepção nos comentários. 

Uma lição: São várias nesse livro, mas a que mais me marcou foi a de não deixar de falar e demonstrar o amor que temos.

Um personagem: Max Vandenburg. Um personagem coadjuvante que faz papel central na história. Um judeu que se culpa por querer viver. Um homem que  descobre o poder libertador e condenador das palavras.

Um destaque: Para os apaixonados por livros, é inebriante a metonímia poética que o livro faz com relação ao valor e à capacidade de transformação que os livros tem. 

Uma citação: "Ela era a roubadora de livros que não tinha palavras. Mas, acredite, as palavras estavam a caminho e, quando chegassem, Liesel as seguraria nas mãos feito nuvens, e as torceria feito chuva."

Ri: "Um judeu e uma alemã estão parados num porão, certo?... Mas aquilo não era piada."

Chorei: "Se ao menos pudesse voltar a ser tão distraída, a sentir tanto amor sem saber, tomando-o por engano pelo riso e pelo pão com um levíssimo cheiro de geleia espalhado por cima."

Espero que os tenha convencido a ler essa fascinante obra. É, definitivamente, o tipo de livro impossível de ser esquecido.

APROVADO!




6 comentários:

  1. Não passa vontade, não, leia que vale a pena! =)

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  2. Comecei a ler o livro quando era pequena, mas achei muito complexo para a minha idade haha agora pretendo retomar a leitura, ainda mais depois que vi o filme :D

    estantedarob.blogspot.com.br

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    1. Vale muito a pena, Sté!
      Mas, com certeza, não é um livro muito fácil para crianças.
      Se você curtiu o filme, vai achar o livro melhor ainda!
      Beijos!

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  3. Terminei agorinha mesmo e concordo em número e grau da sua resenha.
    É um livro que definitivamente não merece ser lido, mas sim ser degustado.
    É lindo e encantador e a Dona Morte é uma grande poetisa!

    http://leiaeimagine2013.blogspot.com.br

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    1. Não é verdade, Mateus?
      Só quem leu mesmo pra saber como é lindo revolucionário esse livro...
      E pode se arriscar no filme também (apesar de, como sempre, não ser capaz de fazer jus ao livro) porque também garante muitas emoções!
      Obrigada pela visita, volte sempre!

      Abraços!

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