sábado, 9 de junho de 2018

A Abadia de Northanger



Título: A Abadia de Northanger
Autora: Jane Austen
Editora: LaFonte
Ano: 1817

 

Onde começa o mito...


   A primeira obra da grandiosa Jane Austen já deu indícios de que ela seria a maior romancista de todos os tempo, o que de fato foi.

   Catherine Morland é uma jovem de 17 anos, ávida por romances de mistério, que almeja descobrir mais do mundo do que sua pacata e pequena cidade e seus muitos livros podem mostrar.
   Ao receber o convite de amigos da família para passar uma temporada em Bath, a vida de Catherine muda radicalmente. De pomposas festas em grandes salões a novos e interessantes amigos que se aproximam, a ingênua protagonista passa a conhecer um outro universo, cheio de mistérios, intrigas e emoções.
   Ainda em Bath, conhece a família Thorpe, com quem trava intensa amizade de Isabella e acaba arrenatando o coração do tagarela John. Mas é por Henry Tilney que acaba se apaixonando, o irmão mais novo dos Tilney, com quem com poucas danças e muitas conversas descobre mais do mundo do que poderia sonhar.
   Estando em tão alta estima por esta última família, é convidada a passar outra temporada na antiga e misteriosa Abadia de Northanger, que guarda segredos macabros e que encherá de aventuras nossa querida e já amada Catherine.

Sobre John Thorpe: "Era um jovem robusto, de altura média, que, com um rosto comum e formas desajeitadas, parecia receoso de ser muito bonito, a menos que usasse os trajes de um noivo, e também muito parecido a um cavalheiro, a menos que se sentisse à vontade quando deveria ser gentil, e ainda imprudente, quando lhe fosse permitido ficar à vontade." (p.34)


PING-PONG

Título e Capa: Não concordo com o título ser a Abadia, uma vez que ela é somente citada e compõe o cenário da história a partir da segunda metade do livro. Talvez algo relacionado à ingenuidade da personagem, ou mesmo ao valor das amizades seria mais propício, mas quem sou eu para questionar a decisão de Austen? A capa da edição que li tem a silhueta de um rapaz e uma dama dançando, o que representa bem os muitos bailes da história.
Como o livro me achou: Já tinha ouvido falar desse título, mas só fui ter a oportunidade de comprá-lo quando o vi em uma feira de livros. Era uma compra certa de que jamais poderia me arrepender.

Foi Top: O diálogo desses personagens é sem precedentes. Henry Tilney é simplesmente encantador falando sobre qualquer assunto. Tê-lo, então, comparando a fidelidade de um dança com a do casamento foi arrebatador.
 "Entre os dois, o homem tem a vantagem de escolha e a mulher somente o poder da recusa; que, para ambos, é um compromisso entre homem e mulher, assumido para o benefício dos dois; e que, uma vez aceito e firmado, eles pertencem exclusivamente um ao outroa até o momento de sua dissolução; que é o dever dos dois esforçar-se para não dar ao outro motivos para querer estabelecer-se em outro lugar; e que é do maior interesse deles manter sua própria imaginação isenta de divagar sobre a perfeita harmonia dos vizinhos, ou fantasiar que estariam em melhor situação com outra pessoa." [Henry a Catherine] (p.60) 

Estragou: Jamais diria que algo nas obras de J.A. estrangariam qualquer coisa, mas devo confessar que esse foi um livro que acabei lendo mais demoradamente, principalmente no começo, talvez pelo excesso de diálogo da autora com os leitores. Preferia que a história fosse contada sem antecipações como "esta é a nossa heroína" ou "ele será o herói"...

Só nesse livro: Sei que há dezenas de edições desse livro por aí, mas tive o privilégio de ter um exemplar com ilustrações, as quais deram ao livro um toque delicioso. Os traços delicados e realistas do desenho me fizeram imaginar com ternura cada personagem e cena representados.

Quem me conquistou: Ah, não tinha como não ser Henry. Suas opiniões e caráter, tão dignos de J.A., fazem com que mais esse herói Austeniano detenha meu coração. Mesmo assim, quero dar um crédito para o personagem encantador que foi John Thorpe. Apesar da sua impertinência e egocentrismo em muitos momentos, mostrou-se o tipo de homem que esperamos dos heróis: o que vai atrás da protagonista sem reservas ou temores. Tiro meu chapéu pela genialidade de inseri-lo nessa história. 

Quem podia cair fora: Me irritava profundamente as cenas com senhora Allen, que hospedou Catherine em Bath. Extremamente cansativa e superficial, só sabia opinar sobre vestidos e fazer fofocas, incapaz dizer uma coisa sequer que valesse.

O que o livro me ensinou: Que, apesar de aparentar uma falha inofensiva, a excessiva ingenuidade pode nos colocar em situações constrangedoras e até perigosas. Ainda assim, é certamente preferível à cruel astúcia dos que se aproveitam dela.

História linda, como era de se esperar, sem grandes surpresas, mas com o romantismo conhecido da nossa autora, que arrabata os corações com sua singeleza de recursos, mas abundância de talento.



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