quinta-feira, 5 de abril de 2018

Baía da Esperança

 

Título: Baía da Esperança
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Ano: 2006 (original)/ 2016 (Brasil)


Qual é o seu refúgio?



   Mike Dormer está para dar a maior guinada de sua vida. De casamento marcado com a filha do chefe e prestes a fechar um negócio multi-milionário, era de se esperar que estivesse nas nuvens. Mas ele não estava.
   Como um homem ponderado e calculista, ele sabe que está fazendo escolhas de alto risco, por isso tem andando tão desorientado. Quando viaja de Londres à Austrália a fim de coletar informações para o novo negócio, acaba se surpreendo com a paz que encontra no pacato e amistoso hotel Baía da Esperança. E não só a paz, mas também uma misteriosa mulher que tem lhe ocupado cada pensamento.
   Liza nunca quis revelar para ninguém seu passado. Apesar de ter chegado há alguns anos no hotel da tia, tudo o que os baleeiros e habitantes do local sabiam era que amava as baleias e protegia severamente a filha.
   Quando Mike conhece a vida das pessoas naquele lugar esquecido no mundo, percebe o grande erro que os negócios imobiliários que ele estava envolvido seriam. Vendo de perto a vulnerabilidade que os animais marinhos estavam expostos diante dos poucos e, até então, cuidadosos humanos, e a história de pessoas simples e queridas que teriam que ser expulsas de lá em favor de uma urbanização desproporcional, ele muda de lado e passa a proteger quem ele, antes, estava prestes a atacar.
   Mas, sem que nenhum dos dois lados saibam quem é o verdadeiro Mike, o desafio do londrino será mais difícil do que ele imaginava, ainda mais quando a pessoa mais prejudicada é quem parece mais já ter sofrido na vida.

PING-PONG


Título e capa: Baía da Esperança é o nome do hotel onde a história se passa. Kathleen é a dona e administradora, junto com sua sobrinha Liza e a filha dela de onze anos, Hanna. O desenho mostra Liza no barco, em meio a baleias e golfinhos, no único lugar em que ela consegue se sentir verdadeiramente protegida e livre: o mar.

Como o livro me achou: Black Friday outra vez! O tema despertou bastante a minha atenção, essa coisa de segredos e refúgios sempre me atraíram. Quando a expectativa, o livro não decepcionou.

Foi Top: Apesar de não ser a Senhora Sociedade Protetora dos Animais, nem alguém natureba, nem nada do tipo, adorei os relatos sobre a vida das baleias e golfinhos narrados, seus hábitos, sua interação com os humanos... A autora soube colocar isso de forma interessante e não maçante, como alguns livros que abordam temas afins fazem.

Estragou: Eu tenho pena da Liza, principalmente depois de conhecer a história terrível por trás do seu comportamento, mas ela é uma personagem muito cansativa e um pouco revoltante também. Aquele tipo de pessoa que repudia uma atitude de dia e a pratica de noite com o maior descaramento. Todos a tratam com muitos cuidados, até por ela ser cheia dos não me toques, mas tudo tem um limite, ainda mais com alguém tão incoerente, ingrata e fingida.

Só nesse livro: você se emociona pra valer com o resgate de um golfinho. A história do livro é pesada, assuntos muito difíceis de tratar, mas o que realmente me tocou foi a atitude heroica e corajosa de Mike, principalmente depois de saber o quanto ele tem horror a riscos.

Quem me conquistou: Hanna é uma fofa, sabia que ela seria a escolhida desde sua primeira aparição, ficando apaixonada pelo pretendente da mãe. Ela é só uma garotinha de onze anos, mas parece pensar melhor do que todos os adultos. Sofreu grandes perdas e, ainda assim, consegue manter um sorriso, a obediência e a esperança. Não tem como não amá-la. Jojo Moyes e sua capacidade de colocar crianças e adolescentes maravilhosas nas histórias. Hanna me emocionou.

"Não falo de Letty porque mamãe fica muito chateada, mas continuo sentindo falta dela.
Eu não soube explicar direito, mas sempre terei uma irmã. O fato de Letty já não estar viva não me torna filha única, só me faz ser metade do que eu era" [Hanna, p.116]

Quem podia cair fora: Apesar de ter uma participação muito especial no livro, achei a personagem Mônica, irmã de Mike, bastante sem graça. Dá pra ver a inveja que ela acabou desenvolvendo do irmão pelas conquistas dele, e é sempre chato personagem invejoso que não é o vilão da história.

O que o livro me ensinou: Tem a lição que o livro quer dar e a que eu vou levar.
"Às vezes uma mentira é a saída para fazer os outros sofrerem menos" (p.284).
Acho que isso é tão educativo quanto dizer que, às vezes, roubar é a saída para enriquecermos mais rápido. 

A lição que eu vou levar, porém, é que temos que proteger de todas as formas o que amamos; devemos ser verdadeiros, acima de tudo, com nós mesmos; e devemos respeitar os limites das pessoas e da natureza.

"Quem sabe dentro de todos nós exista uma necessidade perversa de chegar perto do que tem a capacidade de nos destruir." (p.148)

Livro sem grandes expectativas, com uma história bem escrita, mas que, talvez, assim como O som do amor, não faça juz ao nome Jojo Moyes e o que ela já alcançou com seus livros. 





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